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OUTUBRO ROSA - PARA ALÉM DO EROTISMO DOS SEIOS

Atualizado: 16 de ago. de 2021


Em 1857 surge um livro que vai desafiar as convenções sociais e expor a banalização da burguesia desmoralizando-a de forma sutil em cada linha escrita com detalhes e um perfeccionismo de dar inveja a qualquer escritor. Em um tempo quando as mulheres deveriam ser dependentes do desejo masculino e de esposas submissas, surge Emma Bovary mostrando que o prazer sexual não é restrito a homens e que este se distingue do desejo.

O livro Madame Bovary trouxe tanta polêmica que seu autor – Gustave Flaubert – foi parar em julgamento. Os juízes queriam saber qual mulher teria sido o modelo de sua personagem, pois eles acreditavam que tamanha expressão de desejo e de vontade em uma mulher era impossível, uma mulher que rompe com os costumes à procura da felicidade se torna perigosa, para a surpresa de todos ali presente Gustave Flaubert responde: “Madame Bovary sou eu”.

A história do Outubro Rosa surge quando o laço cor-de-rosa, lançado pela Fundação Susan G. Komen for the Cure é distribuído aos participantes da primeira Corrida pela Cura do câncer de mama, realizada em Nova York, em 1990 e, desde então, promovida anualmente na cidade, posteriormente essa iniciativa se espalhou pelo mundo, chegando também no Brasil. No entanto, falar de peitos femininos ainda é um grande desconforto para muita gente.

Mas outubro rosa não é só para as mulheres, é preciso o engajamento dos homens nessa campanha, haja vista os diversos tabus e interditos que ainda persistem nas mulheres devido a uma postura machista que ainda insiste em existir proibindo a mulher de se tocar, proibindo de se autodescobrir através da não autorização da intimidade com seu próprio corpo, onde não sabem como se explorar, como se desvendar, pois reside em seu inconsciente a vergonha, que se torna um impedimento para o autoexame, mas não é um impedimento para que o câncer de mama surja.

São tão comuns os casos em que mães são constrangidas quando amamentam seus filhos em locais públicos. Para muitas pessoas, é preferível que a mulher fique desconfortável e coloque panos sobre o rosto do bebê – prejudicando sua respiração e bem estar – a correr o “risco” de mostrar um mamilo em público. Para nossa sociedade, o corpo da mulher muito dificilmente está desvinculado da objetificação sexual.


Se a vergonha de se tocar é um impedimento, é preciso então ajuda de um terapeuta para compreender as origens dessa vergonha. Em algumas mulheres o interdito é tão forte que elas não conseguem se vir nua na frente de um espelho. 

Muitas vezes um marido que critica o corpo da esposa torna este processo diante do espelho ainda mais doloroso. Mas é preciso conhecer seu corpo, observas manchas que antes não existiam ali, olhar-se com curiosidade, buscar intimidade, ver a textura da pele, sentir sua maciez, tocar as mamas, uma de cada vez com atenção, perceber como ela é e repetir a observação de seu corpo tantas vezes quantas foram possíveis: uma dor sem causa aparente, cabelos que ficam ressecados, unhas quebradiças, secreções vaginais estranhas ao período menstrual, odores muito fortes e feridas que não cicatrizam, pois cada item desses é um sintoma que precisa ser investigado em sua origem.

Tocar o próprio corpo faz parte do empoderamento feminino, sem o toque não há o conhecimento de si mesmo. Para fazer o autoexame da mama é necessário seguir três passos principais que incluem fazer observação em frente ao espelho, apalpar a mama de pé e repetir novamente estando deitada. Este autoexame deve ser feito uma vez por mês, todos os meses, 3 a 5 dias após o aparecimento da menstruação ou em uma data fixa nas mulheres que já não têm menstruação. Todas as mulheres após os 20 anos, com caso de câncer na família, ou com mais de 40 anos, sem caso de câncer na família, devem realizar o autoexame para prevenir e diagnosticar precocemente o câncer de mama, avaliar o tamanho, forma e cor das mamas, assim como inchaços, abaixamentos, saliências ou rugosidades. Caso existam alterações que não estavam presentes no exame anterior ou existam diferenças entre as mamas é recomendado consultar um ginecologista.

Enquanto homens, nosso papel não está em considerar as mulheres inferiores e fáceis objetos de sexualidade, nosso papel é de respeito e companheirismo, quer seja dentro de uma conjugalidade ou dentro de um encontro sexual casual, pois mulher não é simplesmente um objeto do desejo masculino, ela também deseja e busca alguém que compartilhe das suas emoções com ela, que as valorize e as faça sentir que são amadas e que podem contar conosco em suas lutas e conquistas, nas palavras do mestre Freud: “Como fica forte uma pessoa quando está segura de ser amada”.

Outubro rosa não é apenas luta de conscientização feminina sobre o câncer de mama, mas luta de homens e mulheres que buscam construir um relacionamento de igualdade e de ajuda mútua, luta de homens que desejam ver as mulheres independentes, assertivas e inteligentes, donas de seus próprios corpos e desejo, outubro rosa é a luta de homens que querem ver as mulheres sendo felizes em um mundo de igualdade e sem tabus, utopia talvez, mas quem sabe neste mês a gente não possa falar como Gustave Flaubert: “Madame Bovary sou eu”, portanto essa luta também é nossa.



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